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Quanto tempo durou cada bear market cripto? Os números de 2011 a 2026

Do topo ao fundo, os bear markets do Bitcoin levaram cerca de um ano; a volta ao recorde, mais de dois. Veja a duração de cada ciclo de 2011 a 2026, calculada com dados diários, o caso do Ethereum e o que os números não permitem concluir.

Paisagem de inverno ao amanhecer com uma moeda dourada meio enterrada na neve em primeiro plano e, ao fundo, uma fileira de montanhas nevadas seguidas de longas planícies congeladas, com o sol nascendo no horizonte à direita
Paisagem de inverno ao amanhecer com uma moeda dourada meio enterrada na neve em primeiro plano e, ao fundo, uma fileira de montanhas nevadas seguidas de longas planícies congeladas, com o sol nascendo no horizonte à direita

Resposta direta

Os três grandes bear markets completos do Bitcoin levaram de 364 a 406 dias para ir do topo ao fundo, ou seja, cerca de um ano de queda. A volta ao recorde anterior demorou mais: de 15 a 25 meses depois do fundo. Somando as duas partes, quem comprou no topo esperou de 2 anos e 4 meses a 3 anos e 2 meses para ficar no zero a zero.

O primeiro bear market, em 2011, foi mais curto: cerca de cinco meses de queda e 20 meses entre o topo e o novo recorde. O atual começou em 6 de outubro de 2025. Até 16 de outubro de 2026, a menor cotação de fechamento foi registrada em 30 de junho de 2026, 267 dias depois do topo, e o Bitcoin seguia cerca de 35% abaixo do recorde. Ninguém sabe ainda se aquele foi o fundo.

Os números deste artigo foram calculados com a série diária pública da corretora Bitstamp, consultada em 17 de outubro de 2026. Não há recomendação de compra ou venda.

O que conta como bear market

No mercado de ações, a convenção mais usada é simples: bear market é uma queda de 20% ou mais de um índice amplo, por pelo menos dois meses, segundo o glossário do Investor.gov, site de educação da SEC, a CVM dos Estados Unidos. Em cripto essa régua não funciona bem. O Bitcoin já caiu mais de 20% várias vezes no meio de ciclos de alta e voltou a subir em poucas semanas.

Por isso, aqui usamos um critério mais exigente e fácil de conferir:

  • Topo: o maior preço de fechamento diário até então (a máxima histórica).
  • Fundo: o menor fechamento antes de o preço voltar a superar aquele topo.
  • Bear market: quando a queda do topo ao fundo passa de 50%.
  • Recuperação: o primeiro fechamento acima do topo anterior.

Usamos preço de fechamento, e não a máxima ou a mínima do dia, porque ele é menos sensível a picos de poucos minutos. As máximas e mínimas intradiárias aparecem no texto quando ajudam a comparar com números citados em outros lugares. Cada corretora tem uma série um pouco diferente; nos topos, as fontes divergem em centenas ou alguns milhares de dólares, e as datas podem mudar em um ou dois dias.

Com esse critério aparecem dois tipos de queda. Quatro foram longas, com mais de 75% de perda e anos até o novo recorde: é o que o mercado chama de "inverno cripto". Duas foram rápidas, dentro de ciclos de alta, e ficam numa seção à parte. O ciclo atual está no meio do caminho e é tratado como em andamento.

Os bear markets do Bitcoin, um por um

CicloTopo (fechamento)Fundo (fechamento)QuedaTopo ao fundoFundo ao novo recordeTotal
2011~US$ 32 em 8 jun. 2011 (Mt. Gox)~US$ 2 em out.–nov. 2011~93%~5 meses~15 a 16 meses~20 meses (27 fev. 2013)
2013–2015US$ 1.132 em 4 dez. 2013US$ 171 em 14 jan. 201584,9%406 dias771 dias1.177 dias (23 fev. 2017)
2017–2018US$ 19.188 em 16 dez. 2017US$ 3.180 em 15 dez. 201883,4%364 dias716 dias1.080 dias (30 nov. 2020)
2021–2022US$ 67.559 em 8 nov. 2021US$ 15.766 em 21 nov. 202276,7%378 dias469 dias847 dias (4 mar. 2024)
2025–2026 (em andamento)US$ 124.728 em 6 out. 2025US$ 58.526 em 30 jun. 2026 (menor fechamento até a consulta)53,1%267 dias até agora—375 dias até 16 out. 2026, sem novo recorde

Fonte: cálculo da Cripto View com fechamentos diários em dólar (BTC/USD) da Bitstamp, de 18 ago. 2011 a 16 out. 2026. A linha de 2011 usa preços da Mt. Gox citados pela Cointelegraph e por um registro de fevereiro de 2013, porque a série da Bitstamp começa depois do topo daquele ano. Consulta em 17 out. 2026.

Ciclo a ciclo

2011: o primeiro inverno, curto e brutal

Em 8 de junho de 2011, o Bitcoin chegou perto de US$ 32 na Mt. Gox, então praticamente a única corretora com volume relevante. Onze dias depois, um invasor com acesso administrativo à Mt. Gox vendeu um grande lote de moedas e derrubou a cotação na plataforma para US$ 0,01 por alguns minutos, segundo um relato da BitMEX Research. A confiança não voltou tão cedo. No fim do ano, o preço estava perto de US$ 2; na Bitstamp, o menor fechamento foi US$ 2,24, em 20 de outubro de 2011.

A queda levou uns cinco meses. O recorde de US$ 32 só foi superado em 27 de fevereiro de 2013, um ano e oito meses depois do topo.

2013–2015: o fim da Mt. Gox e o inverno mais longo

O topo de fechamento na Bitstamp foi US$ 1.132, em 4 de dezembro de 2013; a máxima intradiária, US$ 1.163, tinha aparecido em 30 de novembro. Em fevereiro de 2014, a Mt. Gox suspendeu os saques e pediu falência. O preço desceu por mais de um ano, até fechar em US$ 171 em 14 de janeiro de 2015 (a mínima do dia foi US$ 152).

Foram 406 dias de queda, a mais longa das quatro. E a mais lenta para se recuperar: o Bitcoin só fechou acima de US$ 1.132 em 23 de fevereiro de 2017. Do topo ao novo recorde, 1.177 dias, pouco mais de três anos e dois meses.

2017–2018: o ciclo do varejo

Em 16 de dezembro de 2017, o Bitcoin fechou em US$ 19.188 na Bitstamp, depois de multiplicar o preço por quase 20 em um ano. A queda foi rápida no começo: em fevereiro de 2018, a moeda já tinha perdido metade do valor em 16 dias. O fundo veio quase exatamente um ano depois do topo, em 15 de dezembro de 2018, com fechamento de US$ 3.180.

A recuperação levou 716 dias. O primeiro fechamento acima do topo de 2017 foi em 30 de novembro de 2020.

2021–2022: Terra, Celsius e FTX

O topo de fechamento foi US$ 67.559 em 8 de novembro de 2021, e a máxima intradiária, US$ 69.000, em 10 de novembro. A queda de 2022 teve três choques conhecidos: o colapso da Terra-Luna em maio, o congelamento de saques da Celsius em junho e a falência da corretora FTX em novembro. O fundo veio logo depois, em 21 de novembro de 2022, com fechamento de US$ 15.766.

Um exemplo ajuda a dimensionar. Quem pôs US$ 1.000 em bitcoin no fechamento de 8 de novembro de 2021 tinha cerca de US$ 233 um ano depois. E só voltou aos US$ 1.000 em 4 de março de 2024, quase dois anos e quatro meses após a compra. Este é um exemplo com dados passados, não uma projeção.

2025–2026: o ciclo em andamento

O Bitcoin fechou em US$ 124.728 na Bitstamp em 6 de outubro de 2025, com máxima intradiária de US$ 126.272. Quatro dias depois, o anúncio de uma tarifa de 100% dos Estados Unidos sobre importações da China provocou o que a CoinGlass, empresa que acompanha dados de derivativos, chamou de maior evento de liquidação da história do mercado cripto, com cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas encerradas à força em 24 horas, segundo a Bloomberg.

A queda seguiu até 30 de junho de 2026, quando o fechamento foi de US$ 58.526 (mínima intradiária de US$ 57.735 no dia seguinte). Em 16 de outubro de 2026, o Bitcoin fechou em US$ 81.501, cerca de 35% abaixo do topo e 39% acima daquele fechamento de junho. As explicações publicadas para as quedas de 2026 variam bastante, e não atribuímos o movimento a uma causa única.

Se a mínima de junho se confirmar como fundo, este terá sido o bear market mais raso (53%) e o de queda mais curta (267 dias) entre os quatro longos. Esse "se" é grande: em 2014 e em 2022 houve repiques fortes antes de novas mínimas.

Quedas fortes que não viraram inverno

Duas quedas passaram de 50% e, mesmo assim, o preço voltou ao recorde em poucos meses. Elas mostram que uma queda funda, sozinha, não define o tamanho do bear market.

PeríodoTopo (fechamento)Fundo (fechamento)QuedaTopo ao fundoTotal até o novo recorde
2013US$ 229 em 9 abr. 2013US$ 66 em 6 jul. 201371,0%88 dias210 dias (5 nov. 2013)
2021US$ 63.564 em 13 abr. 2021US$ 29.787 em 20 jul. 202153,1%98 dias189 dias (19 out. 2021)

Fonte: cálculo da Cripto View com fechamentos diários BTC/USD da Bitstamp. Consulta em 17 out. 2026.

Repare que a queda de 2021 teve exatamente o mesmo tamanho, 53,1%, da queda do ciclo atual até junho de 2026. A diferença está no tempo: em 2021, o preço já tinha voltado ao recorde 189 dias depois do topo. No ciclo atual, 375 dias depois, ainda não voltou.

E as outras criptomoedas?

O Ethereum, segunda maior criptomoeda, tem série diária na Bitstamp desde agosto de 2017. Nos três ciclos que essa série cobre, as quedas foram mais fundas e a recuperação, mais lenta, do que no Bitcoin.

CicloTopo (fechamento)Fundo (fechamento)QuedaTopo ao fundoTotal até o novo recorde
2018US$ 1.385 em 13 jan. 2018US$ 83 em 14 dez. 201894,0%335 dias1.107 dias (24 jan. 2021)
2021–2022US$ 4.812 em 8 nov. 2021US$ 996 em 18 jun. 202279,3%222 dias1.383 dias (22 ago. 2025)
2025–2026 (em andamento)US$ 4.830 em 22 ago. 2025US$ 1.565 em 25 jun. 2026 (menor fechamento até a consulta)67,6%307 dias até agorasem novo recorde; ~50% abaixo do topo em 16 out. 2026

Fonte: cálculo da Cripto View com fechamentos diários ETH/USD da Bitstamp. Consulta em 17 out. 2026.

No ciclo de 2021, o Ethereum levou cerca de três anos e nove meses para voltar ao recorde, enquanto o Bitcoin levou dois anos e quatro meses. Moedas menores costumam se sair pior que as duas maiores, e muitas nunca voltam ao topo; essa comparação exige dados de cada ativo, que este artigo não cobre.

Padrões que aparecem nos números

  • Cerca de um ano de queda: nos três ciclos completos com dados da Bitstamp, o fundo veio entre 364 e 406 dias depois do topo, com média de 383 dias.
  • Recuperação mais longa que a queda: voltar ao recorde levou, em média, 652 dias a partir do fundo, quase o dobro do tempo de queda.
  • Quedas cada vez menos fundas: 93%, 85%, 83%, 77% e, até agora, 53%. O mercado ficou maior e com mais participantes, o que tende a amortecer movimentos extremos, mas a amostra é pequena.
  • Topos a cada quatro anos: 2013, 2017, 2021 e 2025. Muita gente liga isso ao halving, o corte pela metade na emissão de novos bitcoins a cada quatro anos. A coincidência existe nos dados; a relação de causa não está provada.

O que os dados mostram e o que não permitem concluir

Os dados mostram quanto tempo cada queda levou numa corretora específica, com um critério fixo, e permitem comparar ciclos entre si. Também mostram que, até hoje, o Bitcoin sempre superou o topo anterior, ainda que depois de anos.

Os dados não permitem concluir:

  • Que o próximo bear market vai durar um ano. São quatro ciclos longos, e um deles com dados de outra corretora. É pouco para estatística.
  • Que o fundo do ciclo atual já aconteceu. A menor cotação até 16 de outubro de 2026 pode ser superada.
  • Que toda criptomoeda se recupera. Os números acima são do Bitcoin e do Ethereum, que sobreviveram; quem desapareceu não entra na conta.
  • Que as durações são iguais em reais. Em reais, a variação do dólar muda o resultado de quem investe no Brasil, e este artigo usa só cotações em dólar.
  • Que o mesmo critério daria as mesmas datas em outra fonte. Com máximas intradiárias ou com dados da CoinGecko, as datas e porcentagens mudam um pouco.

Riscos e cuidados

  • Tempo de espera: quem compra perto de um topo pode ficar anos no prejuízo. Antes de entrar, pense se aguentaria três anos sem precisar desse dinheiro.
  • Alavancagem: numa queda de 50% a 80%, posições alavancadas são liquidadas muito antes do fundo. O evento de outubro de 2025 é um exemplo recente.
  • Risco de plataforma: três dos quatro invernos tiveram ataque, falência ou congelamento de saques numa plataforma importante (Mt. Gox em 2011 e 2014, Celsius e FTX em 2022). Saber onde suas moedas estão guardadas importa tanto quanto o preço.
  • Comparações enganosas: "o fundo sempre vem um ano depois do topo" é uma leitura de quatro casos, não uma regra.

Checklist para iniciantes

  • Confira a que distância do topo histórico o preço está antes de comprar.
  • Defina quanto do seu patrimônio aguentaria uma queda de 80% sem mudar sua vida.
  • Pense num horizonte de pelo menos três a quatro anos para dinheiro aplicado em cripto.
  • Evite alavancagem se você ainda não viveu um bear market.
  • Prefira aportes parcelados a uma compra única, se não sabe em que fase do ciclo está.
  • Confirme se a corretora permite sacar as moedas para uma carteira própria.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura, em média, um bear market cripto?

Nos três ciclos completos do Bitcoin com dados diários da Bitstamp (2013–2015, 2017–2018 e 2021–2022), a queda do topo ao fundo durou de 364 a 406 dias, média de 383 dias. Do topo até o novo recorde, foram de 847 a 1.177 dias.

O mercado cripto está em bear market em outubro de 2026?

Pelo critério deste artigo, sim: em 16 de outubro de 2026, o Bitcoin fechou cerca de 35% abaixo do recorde de 6 de outubro de 2025 e ainda não voltou a ele. A queda máxima até agora foi de 53,1%, em 30 de junho de 2026.

Qual foi o bear market mais longo do Bitcoin?

O de 2013–2015. Foram 406 dias do topo ao fundo e 1.177 dias, pouco mais de três anos e dois meses, até um novo recorde.

Qual a diferença entre bear market e correção?

Nas ações, correção costuma ser uma queda de 10% a 20%, e bear market, de 20% ou mais. Em cripto, quedas de 20% a 30% são comuns até em ciclos de alta, por isso este artigo só considera bear market uma queda acima de 50% a partir da máxima histórica.

O halving encerra o bear market?

Não há como afirmar isso. Os halvings de julho de 2016 e de maio de 2020 aconteceram entre o fundo e o novo recorde. O de abril de 2024 veio cerca de um mês e meio depois que o Bitcoin já tinha voltado ao recorde, em 4 de março. São três casos, com datas diferentes em relação ao ciclo, e nenhum prova que o halving cause a recuperação.

Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de ativos.

Fontes: Bitstamp: API pública, dados OHLC diários de BTC/USD e ETH/USD; Investor.gov (SEC): definição de bear market; Cointelegraph: A brief history of Bitcoin crashes and bear markets, 2009–2022 (10 jul. 2022); mrb's blog: Bitcoin volta a US$ 32 na Mt. Gox (27 fev. 2013); BitMEX Research: a queda relâmpago de junho de 2011; Wikipedia: History of bitcoin; Wikipedia: Mt. Gox; Wikipedia: Bankruptcy of FTX; Bloomberg: Trump Tariffs Upend Crypto Market, Trigger Record Liquidations (10 out. 2025). Consulta em 17 out. 2026.

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