Bitcoin: evolução histórica de preço, ciclos e quedas máximas
Um panorama quantitativo do preço do Bitcoin de 2009 a setembro de 2026: marcos por fase, máximas de cada ciclo, quedas máximas, halvings, fontes e o que os dados não mostram.

Resposta direta
Em pouco mais de 15 anos, o preço do Bitcoin saiu de frações de centavo de dólar, em 2010, para uma máxima histórica próxima de US$ 126 mil em 6 de outubro de 2025. No caminho, houve pelo menos quatro grandes ciclos de alta seguidos de quedas de 75% a 93% em relação ao topo. Na data de consulta deste artigo, 8 de setembro de 2026, o Bitcoin era negociado perto de US$ 79 mil, cerca de 37% abaixo do topo de 2025. Todos os valores aqui são aproximações em dólar (BTC/USD) no mercado à vista e servem para entender a ordem de grandeza e o comportamento da série, não para reconstituir cotações exatas.
Como ler estes números
Antes da tabela e da linha do tempo, vale fixar o método e os limites dos dados:
- Referência: preço do Bitcoin em dólar (BTC/USD) no mercado à vista agregado. Não incluímos conversão para real nem retorno ajustado a risco ou inflação.
- Período: do bloco gênese, em 3 de janeiro de 2009, até 8 de setembro de 2026 (data de consulta).
- Aproximações: os números são arredondados. Máxima intradiária e preço de fechamento diferem, e cada provedor tem uma série um pouco distinta — nos topos recentes, as fontes divergem em alguns milhares de dólares.
- “Máxima histórica” (ATH): o maior preço já registrado. O valor exato depende da corretora e da fonte usadas como referência.
- Dados antigos: antes de 2013, o histórico é esparso e vem de poucas corretoras de baixo volume, como a New Liberty Standard e a Mt. Gox.
- “Queda máxima” (drawdown): a variação do topo de um ciclo até a menor cotação do período de baixa seguinte.
Marcos de preço e quedas máximas
| Fase | Marco | Valor aproximado (USD) | Quando | Queda até a mínima seguinte |
|---|---|---|---|---|
| Origem | Bloco gênese; sem preço de mercado | — | 3 jan 2009 | — |
| 2009–2010 | Primeira cotação publicada (New Liberty Standard) | menos de US$ 0,001 | out 2009 | — |
| 2010 | “Bitcoin Pizza”: 10.000 BTC por 2 pizzas | ~US$ 41 no total | 22 mai 2010 | — |
| 2011 | Paridade com o dólar | US$ 1 | fev 2011 | — |
| Ciclo 1 | Primeiro pico de bolha | ~US$ 31 | jun 2011 | ~93% (até ~US$ 2, nov 2011) |
| Halving 1 | Recompensa por bloco: 50 → 25 BTC | — | 28 nov 2012 | — |
| Ciclo 2 | Máxima da era Mt. Gox | ~US$ 1.150 | 30 nov 2013 | ~85% (até ~US$ 180, jan 2015) |
| Ciclo 3 | Máxima do ciclo de varejo | ~US$ 19.780 | 17 dez 2017 | ~84% (até ~US$ 3.200, dez 2018) |
| Halving 2 | Recompensa por bloco: 25 → 12,5 BTC | — | 9 jul 2016 | — |
| 2020 | Crash da COVID (“Black Thursday”) | ~US$ 3.850 | 12 mar 2020 | — |
| Halving 3 | Recompensa por bloco: 12,5 → 6,25 BTC | — | 11 mai 2020 | — |
| Ciclo 4 | Primeiro pico de 2021 | ~US$ 64.900 | 14 abr 2021 | ~53% (até ~US$ 29–30 mil, jul 2021) |
| Ciclo 4 | Máxima de 2021 | ~US$ 69.000 | 10 nov 2021 | ~77% (até ~US$ 15.700, 21 nov 2022) |
| 2024 | SEC autoriza ETFs de Bitcoin à vista nos EUA | BTC ~US$ 46 mil | 11 jan 2024 | — |
| Halving 4 | Recompensa por bloco: 6,25 → 3,125 BTC | — | 19–20 abr 2024 | — |
| 2024 | Primeira vez acima de US$ 100 mil | US$ 100.000 | 4 dez 2024 | — |
| Ciclo 5 | Máximas de 2025 | US$ 111.970 (22 mai) e ~US$ 123.400 (14 jul) | 2025 | — |
| Ciclo 5 | Máxima histórica atual | ~US$ 126.200 | 6 out 2025 | ~37% até a data de consulta |
| Atual | Preço na data de consulta | ~US$ 79 mil | 7–8 set 2026 | — |
As datas de halving marcam quando a recompensa paga aos mineradores por bloco foi cortada pela metade. Elas aparecem na tabela porque muita análise de ciclo usa o halving como referência — sem que isso prove uma relação de causa.
Linha do tempo do preço, por fase
2009–2011: dos centavos à paridade com o dólar
O Bitcoin nasceu sem preço de mercado. A primeira cotação amplamente citada veio da New Liberty Standard, no fim de 2009, e ficava abaixo de um milésimo de dólar. Em 22 de maio de 2010, um programador pagou 10.000 BTC por duas pizzas, avaliadas em cerca de US$ 41 — o “Bitcoin Pizza Day”. O ativo alcançou a paridade de US$ 1 em fevereiro de 2011.
2011: a primeira bolha
Ainda em 2011, o preço subiu para perto de US$ 31 em junho e depois caiu cerca de 93%, voltando para a faixa de US$ 2 no fim do ano. Foi o primeiro exemplo de um padrão que se repetiria: alta rápida, atração de atenção e uma retração profunda.
2013–2015: o ciclo da Mt. Gox
Em 2013, o Bitcoin passou de cerca de US$ 13 no início do ano para mais de US$ 1.000 em novembro, com máxima próxima de US$ 1.150 — alguns provedores registram valores acima de US$ 1.200 na Mt. Gox, então a maior corretora do mercado. Em fevereiro de 2014, a Mt. Gox interrompeu saques e pediu falência. O preço entrou em queda prolongada e chegou perto de US$ 180 no início de 2015, uma retração de cerca de 85%.
2017–2018: o ciclo do varejo
O ciclo seguinte levou o Bitcoin de cerca de US$ 1.000 em janeiro de 2017 para uma máxima em torno de US$ 19.780 em 17 de dezembro do mesmo ano. Foi o primeiro grande ciclo com participação ampla de investidores de varejo e forte cobertura da imprensa. Em 2018, o preço recuou para perto de US$ 3.200, queda de cerca de 84%.
2020–2022: COVID, institucionais e a queda da FTX
Em 12 de março de 2020, o “Black Thursday” derrubou o Bitcoin para perto de US$ 3.850 em meio ao choque da pandemia. A recuperação foi rápida: o ativo fechou 2020 acima de US$ 29 mil. Em 2021, houve dois picos — cerca de US$ 64.900 em 14 de abril e cerca de US$ 69.000 em 10 de novembro. Em 2022, a quebra do ecossistema Terra e a falência da corretora FTX levaram o preço para perto de US$ 15.700 em 21 de novembro, uma retração de cerca de 77% em relação ao topo.
2023–2025: ETF, halving e a marca de US$ 100 mil
O Bitcoin se recuperou ao longo de 2023. Em 11 de janeiro de 2024, a SEC dos Estados Unidos autorizou a negociação dos primeiros ETFs de Bitcoin à vista no país, com o preço perto de US$ 46 mil. O quarto halving ocorreu em 19–20 de abril de 2024, cortando a recompensa por bloco de 6,25 para 3,125 BTC. Em 4 de dezembro de 2024, o Bitcoin passou de US$ 100 mil pela primeira vez. Em 2025, registrou US$ 111.970 em 22 de maio, cerca de US$ 123.400 em 14 de julho e a máxima histórica próxima de US$ 126 mil em 6 de outubro.
2026 até aqui
Depois do topo de outubro de 2025, o preço entrou em um período de baixa. Segundo dados de mercado de setembro de 2026, o Bitcoin recuou até uma mínima no início de agosto de 2026 e depois se recuperou cerca de 23%, sendo negociado perto de US$ 79 mil em 7–8 de setembro — aproximadamente 37% abaixo da máxima de 2025.
Halvings e ciclos: o que a série sugere
A cada 210 mil blocos, aproximadamente a cada quatro anos, a recompensa paga aos mineradores por bloco cai pela metade. Ocorreram quatro halvings: novembro de 2012, julho de 2016, maio de 2020 e abril de 2024. Nos 12 a 18 meses seguintes aos três primeiros, o Bitcoin registrou altas expressivas e novas máximas históricas.
Isso alimenta a ideia de um “ciclo de quatro anos”. É preciso cautela: são poucos eventos, o que torna qualquer padrão estatisticamente frágil, e cada ciclo coincidiu com fatores externos relevantes — juros, liquidez global, novos produtos financeiros, regulação e crises de corretoras. A série mostra correlação entre halving e alta, não uma relação garantida de causa e efeito.
O que os dados mostram — e o que não mostram
O que a série mostra: o preço do Bitcoin cresceu várias ordens de grandeza desde 2010, em ciclos de alta forte seguidos de quedas profundas. Em todos os grandes ciclos, a retração do topo até a mínima seguinte ficou entre cerca de 75% e 93%. Recuperar um topo anterior levou de um a três anos, quando aconteceu.
O que a série não mostra:
- Não prevê o preço futuro. O histórico descreve o passado; não há garantia de que os padrões se repitam.
- Padrões de ciclo se apoiam em três ou quatro repetições — amostra pequena demais para conclusões firmes.
- Tudo está em dólar. Para quem investe no Brasil, a variação do real altera o retorno, e essa conversão não está incluída.
- Não há ajuste por risco, inflação ou custo de oportunidade. “Voltar a subir” não equivale a ter sido um bom investimento em qualquer ponto de entrada.
- Viés de sobrevivência: analisamos o Bitcoin porque ele sobreviveu. A maioria dos criptoativos lançados no mesmo período perdeu quase todo o valor.
- Os números são aproximados e variam por corretora, fuso e metodologia, especialmente nos primeiros anos e nos topos mais recentes.
Perguntas frequentes
Qual foi o maior preço já registrado pelo Bitcoin?
Uma máxima próxima de US$ 126 mil, em 6 de outubro de 2025. As fontes divergem entre cerca de US$ 124,7 mil e US$ 126,2 mil para essa data. Antes disso, o recorde era de cerca de US$ 69 mil, em novembro de 2021.
Quanto o Bitcoin já caiu depois de um topo?
Em todos os grandes ciclos, a queda do topo até a mínima seguinte ficou entre cerca de 75% e 93%. Quedas prolongadas após uma máxima fazem parte do histórico do ativo.
O halving faz o preço subir?
Houve alta expressiva nos 12 a 18 meses após cada um dos três primeiros halvings, mas são poucos eventos e outros fatores agiram ao mesmo tempo. A série mostra correlação, não uma garantia.
Onde consultar a série histórica completa?
Provedores como a CoinGecko publicam o histórico diário de BTC/USD. Compare mais de uma fonte, porque as séries divergem, sobretudo nos primeiros anos.
O preço em 2026 está abaixo do topo. Isso é normal?
Períodos de baixa prolongada depois de uma máxima ocorreram em todos os ciclos anteriores. Não é possível saber, a partir da série, se e quando um novo topo viria.
Leia também
Para o contexto por trás desses números, veja Bitcoin para iniciantes, a origem e a evolução do Bitcoin, os ciclos do mercado cripto, como ler a capitalização de mercado e como interpretar preço, volume e dominância.
Fontes
- CoinGecko — Bitcoin (BTC): preço e histórico BTC/USD. Consulta em 8 set. 2026.
- CoinGecko — Bitcoin Halving: datas e recompensas por bloco.
- Kraken — The history of Bitcoin halving.
- CoinDesk — cobertura da alta de 2013.
- TechCrunch — referência à máxima de novembro de 2021 (~US$ 69 mil).
- NPR — Bitcoin passa de US$ 100 mil pela primeira vez (dez. 2024).
- ETF.com — primeiro ano dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA (aprovação em jan. 2024).
- Forbes — nova máxima histórica em 6 de outubro de 2025.
- Fortune — preço do Bitcoin em setembro de 2026. Consulta em 8 set. 2026.
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